Não me lembro de ter sonhos de ser mãe qdo pequena. Brincava de boneca, mas preferia a Barbie, adulta, dominadora, a brincar de mamãe e filhinha
Gostava de estar na rua com os meninos, andando de bicicleta, jogando voley ou “bétis”. Gostava de fofocar com as meninas, gostava de paquerar, de sofrer de amores na adolescência.
Gostava de liderar, de desafiar. Gostava de ser inteligente no colégio, sonhava com uma carreira executiva, em ser “a profissional”. Cheguei a sonhar com fama, estrelato, talvez uma carreira de atriz, mas desisti, eu queria ser profissional, queria ser chefe.
Tinha tanta certeza disso, que cheguei a apostar que teria mais dinheiro e sucesso profissional do que um colega arrogante. Arrogante era eu, na aposta, nos encontraríamos em 10 anos e veríamos quem se deu melhor profissionalmente. Os 10 anos já passaram, ele é hoje um médico, certamente teria ganho.
Porque hoje, o que me define, não é uma carreira profissional. Hoje eu sou mãe.
Eu não me lembro de sonhar em ser mãe. Esse desejo me chegou naturalmente, depois de 5 anos de casados, era um passo natural, planejado. Tentamos por 1 ano e meio quando o primeiro grande sucesso da minha vida nasceu.
Diego é um presente de Deus desde o primeiro dia. Eu não sei o quanto errei e acertei, nem ainda o quanto vou errar e acertar, mas com todos os medos, angústias, sei que fiz tudo para tornar esse pequeno príncipe feliz.
Rafa também é um presente, mas um presente inesperado. Enquanto o irmão foi pensado, tentado, calculado, Rafa foi um escorregão delicioso, em uma fase da minha vida que estava profissionalmente caótica, onde eu não sabia pra onde fugir, correr, pra provar minha competência, foi quase como me esconder atrás dele.
Por 9 meses esqueci meu sonho de ser profissional, me dediquei a ser mais “mãe”. Numa fase onde errei tanto na parte executiva, queria acertar no lado maternal. Mesmo sabendo que sou um zero como dona de casa, não cozinho para o meu filho e me apóio demais em meus pais, que beira ao abuso.
Me apeguei ao parto normal, a possibilidade de “parir” meu filho do jeito certo, para ser mãe, para me definir melhor, para ser um pouco mais parecida com a minha mãe, essa sim, profissional do ramo que certamente deveria ser muito bem paga pelo seus serviços de super mãe.
No fim, não tive o parto normal, as dores do parto nem de um nem de outro.
Mas tenho dois meninos, dormindo, lindos, sadios. Dois meninos que me fazem rir e chorar com uma facilidade absurda, que fazem meu coração sangrar se choram ou reclamam de dor. Hoje, meu bebezão veio pra mim, choroso, depois que caiu e bateu a boca, pedindo colo, um espaço que o irmão ocupa a cada duas horas, dormiu nos meus braços, enorme, praticamente não cabe mais em meu colo, mas se enrolou, recebeu um carinho na barriga, e dormiu.
O outro, pequenino, nem sabe bem o que faz aqui, acabou de chegar nesse mundo doido e já com cólicas, se torcendo, tentando entender o que acontece, se aconchega em meus seios e dorme em paz.
Meus meninos dormiram em meus braços.
E enquanto eles dormem, eu espero apenas, que eles tenham bons sonhos.
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